Comecei em 2007, ainda na faculdade, como estagiária na Gemalto. Depois vieram Unilever e John Deere — duas grandes escolas de gestão de pessoas, com estrutura, processos e profissionais que carrego como referência até hoje. Atuei como HRBP nas duas: aquele papel de consultoria interna que exige trânsito por tudo, de legislação trabalhista a cultura organizacional.

Foi nesse período que uma percepção foi se consolidando: essa estrutura toda é a exceção do mercado. A maioria das empresas nunca vai ter isso. E é exatamente essa maioria que mais precisa de ajuda.

Os choques que mudaram minha visão sobre gestão de pessoas

Depois da licença-maternidade, não voltei ao modelo corporativo tradicional. Fui sócia da Miríade, consultoria de diversidade e inclusão — meu primeiro ensaio empreendedor. Depois, dois anos e meio na ClearSale, empresa de tecnologia que crescia rápido mas carecia de processos. Fiz parte da equipe que construiu a consultoria interna de RH — apoiando líderes em gestão de equipes, conflitos e avaliações de desempenho em meio a um crescimento acelerado. Fui demitida de lá — e foi nessa virada que entendi, na prática, o custo da ausência de estrutura em um negócio em crescimento.

Em 2023, fui cofundadora de uma startup de inteligência artificial em estágio early stage. Pela primeira vez, saí completamente do RH — cuidava de tudo que não era o código. E foi nessa época que ouvi do meu sócio uma frase que não esqueci:

"Miriam, você está pensando como empresa grande. Aqui tem que ir mão na massa, vai no simples, tem que ser caseiro."

Aquilo acertou. Aprendi o que se passa na cabeça de quem está construindo algo do zero — quais são as prioridades, o que importa quando o tempo e o dinheiro são curtos.

Depois, fui para a Clara — fintech pós-Series B, mais de 300 pessoas, em expansão acelerada. Ali encontrei a síntese: ágil como startup, complexa como empresa média. O tempo todo entre o estratégico e o operacional, usando inteligência artificial no dia a dia, aprendendo que a perfeição não pode ser inimiga do movimento.

O caso que me empurrou a abrir a Polisofia

Foi nesse período que um amigo me procurou. Fundador de uma empresa de engenharia civil — a Vectec — com cerca de 20 pessoas. Engenheiro brilhante, tecnicamente. Mas passava a maior parte do tempo resolvendo conflitos e burocracias, completamente afastado do que sabia fazer: liderar, fechar propostas, expandir o negócio.

Dei um direcionamento estratégico. Mais de um ano depois, ele voltou: havia funcionado — e queria o próximo passo.

A ficha caiu. O fundador técnico — o engenheiro, o médico, o desenvolvedor — é especialista na sua área. Mas quando a equipe cresce, a gestão de pessoas vira um problema que ele não foi formado para resolver. E ter alguém com o repertório que eu construí em quase duas décadas? Inviável na folha de pagamento de uma pequena ou média empresa.

A Polisofia nasceu para preencher esse espaço. O nome vem do grego — poly (muitos) e sophia (sabedoria). Múltiplos saberes: a ideia de que entender uma organização exige mais do que um único campo do conhecimento. Filosofia, antropologia, ciências políticas, administração, gestão de pessoas — cada uma dessas áreas ilumina algo diferente sobre como as pessoas se organizam, decidem e constroem juntas.

Chego para ouvir, entender o contexto, identificar o problema e desenhar um caminho junto. O objetivo não é criar dependência — é organizar a casa para que o fundador recupere o foco na sua expertise e a empresa cresça com mais autonomia.

Se algo aqui ressoou, pode ser que a sua empresa esteja nesse momento. Estou aqui — o primeiro passo é uma conversa, sem agenda.

Qual é o problema que você ainda não sabe como nomear?